sábado, 19 de novembro de 2016

Suicide Mouse



Eu não quis rir. Não quis chorar. Não quis viver.
Não era o primeiro frasco de remédios e nem a primeira tentativa, nem nada. Tudo tão confuso quanto o olhar das enfermeiras. Água e açúcar pingando em minhas veias é a última coisa nas memórias falhas daqueles sonhos que não se dá pra distinguir da realidade. O roxo no meu braço me lembra da realidade  e o motivo das caretas estranhas quando as pessoas me vêem. Vivemos cansados, é muita burocracia pra não querer se jogar na King size de madeira no final do dia. "Ah, ela quer atenção ". Sim é claro. Vamos admitir uma desculpa, por que admitir um problema é humilhante. Pegando o caminho mais fácil, evitando a tal burocracia sem pensar em consequências. Mas eles não percebem que o final é o mesmo, sempre difícil sempre barulhento.

A consulta com o psiquiatra é dia 30. Volto para dar notícias.

Quero deixar minhas desculpas para Athena,  e para todas vocês. Acho que não fui forte o suficiente.



ps: não mandem mensagem, eles estão com o meu celular.



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Winter girl




Café frio em xícaras trincadas. Sou um desastre em forma de gente, e essa é a razão por que o meu coração, minha pele e tudo relacionado a mim sempre acaba do mesmo jeito. Em pedaços. É um verão frio, há buracos no meu suéter e segredos nas palavras. Preciso de linha e agulha  já que não é fácil se desfazer do passado.


Precisei de um pouco mais de esforço pra sair da cama está manhã, assim como ontem, anteontem e todos os dias desde que me lembro. Era janeiro e eu havia acabado de criar o blog. Meu cabelo está muito maior agora, o calendário diz novembro. Novembro.  Acho que me tornei mais um dos fantasmas da escuridão, encarando o feixe de luz sutil que entra pela porta. Congelada. Ele diz que é depressão mas no fundo ninguém sabe de nada. Por isso ele continua a insistir para que eu procure alguma opinião médica. Eu tenho medo. Mas vou. Por que fazemos coisas por pessoas que importam, porém ele é uma história para outros dias.

Ainda sim  é cansativo. Então irei -tentar- dormir, mas palavras não são garantia. É como uma daquelas noites em que quero dormir e não mais acordar.




49, é a única boa noticia.