quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Comeback





O relógio marca onze. Digo que está tarde, ele se despede. Uma mentira óbvia, já não existem dias ou noites pra mim.  Mas ainda há música e remédios que não foram escondidos suficientemente bem pelos seres que ditam as regras. A madrugada é  apenas mais um desvio para uma geração que não sabe sonhar.

Uma folha de horários, uma lista de metas e uma grande quantidade de frustrações  em todas as vezes que você falha. Se diz "rotina",  e é cruel já que estamos lutando todos os dias para mudar algo. Na verdade, não. Apenas ignoramos os princípios, e quanto mais o fazemos melhor.  Mantemos as quimeras escondidas nos bolsos das roupas sujas, a resmungar sobre o papel não ser branco o suficiente. Fingindo ser grandes, e ainda ficar meio mal por problemas fúteis. Coisas de adulto.

Mas é na escuridão da noite que tudo muda. Sentar na beirada da cama e acender um cigarro. Talvez algumas lágrimas, temendo pelo fantasma prateado que risca por seus pulsos. Ele te assombra e é o toque gélido da lâmina que faz perceber o quanto somos pequenos e dependentes. Pobres crianças. Eles sempre dizem; somos jovens demais para brincar de morrer.


2 comentários:

  1. Oi, Ami...
    Suas palavras expressam a dor de tantas e tantas pessoas. Talvez seja pesado eu usar o termo "adoecer", mas é isso o que sinto, que estamos todos doentes ou adoecendo. Cegos tateando em busca de alguma luz, de um caminho... Algo que não é igual para todos, mas único, individual, algo que eu torço para que cada um de nós possa encontrar.

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    1. Não "doença", creio seria algo como "loucura". Os cortes são como um meio de voltar a realidade.
      Você tem razão, é algo individual.... Só que muitas se perdem nesse caminho. Frio e escuro.

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